segunda-feira, 3 de outubro de 2011

PENSAMENTO EM BUSCA


A paz de coração… “Consumir-se na angústia nunca foi um caminho do Evangelho. Construir a fé sobre o tormento seria construir uma casa sobre a areia. (Mateus 7, 26-27) ”. (irmão Roger, Las fuentes de Taizé, PPC, Madrid, 2000) 
grão de mostarda

domingo, 2 de outubro de 2011

ESCUTAR A VIDA


Caríssimas e caríssimos,

Por vezes, interrogamo-nos: como poderemos ser sinais de esperança, num mundo tomado pela indiferença e pela solidão? Por exemplo, proporcionar um espaço de escuta a um grupo de pessoas a viverem o problema da dependência do álcool pode tornar-se num “tempo de esperança”…

Na reflexão desta semana de Escutar a vida, partilhamos convosco um dos momentos vividos pelo grão de mostarda/comunidade fraterna de reconciliação na comunhão com a população desta terra.
 
Com estima fraterna,

grão de mostarda



Mudar de vida



“Eu sei que vou conseguir; eu vou conseguir mudar a minha vida…”. As palavras saíam-lhe emocionadas, mas ditas com energia, com uma vontade que lhe saltava do coração.

Era a primeira vez que esta mulher (chamemos-lhe “Isabel”) se encontrava com outras três pessoas, todas a viverem o problema da dependência do álcool – um homem que, tal como ela, ainda consome e uma mulher e um outro homem já em fase de recuperação, após tratamento. Ontem, uma tarde de sábado cheia de sol, estas quatro pessoas partilharam as “esquinas” das suas vidas. E enquanto a mulher já em recuperação – “estamos sempre em recuperação, mesmo depois do tratamento”, insiste ela – ia recordando, com alegria, os passos dados, com a ajuda do marido, para se “desembaraçar” do álcool, os olhos de “Isabel” voltavam a humedecer-se. A seu lado, o homem, de 38 anos, que ainda consome, ia disfarçando a sua inquietação. Primeiro, tentava aligeirar os efeitos do álcool, depois sugeria que “mantendo o consumo no mínimo, não haveria perigo…”. Mas a mulher e o homem já regressados do tratamento logo lançaram a mesma pergunta: “E o que é o consumir no mínimo?”…

Pouco a pouco, o diálogo foi revelando o que verdadeiramente se sentia no interior. Os corações abriam-se. E a solidariedade crescia – afinal não havia que ter vergonha de revelar as dores, as frustrações e as “noites escuras” que o vício provoca. Tanto a mulher como o homem já em recuperação não escondiam a mentira em que viveram com a própria família – Diz ela: “Eu cheguei a ter escondidos, num pinhal perto de casa, mais de dez litros de vinho, para que o meu marido não desconfiasse que eu bebia…”. Acabou por ter uma filha “nascida do álcool”, que sofre de deficiências múltiplas. Mas o que poderia ser um infortúnio tornou-se uma “felicidade”, segundo ela. O nascimento da filha, há seis anos, foi o que a levou a ir em busca do tratamento. Por isso mesmo, apesar de tantos problemas de saúde da filha que a obrigam a andar num autêntico corrupio para médicos, ela hoje assume: “Aquela menina – por ela dou a vida, se preciso for – foi a minha felicidade”. E sorri com a limpidez dos simples de coração. Depois de um pequeno silêncio, o homem também já regressado do tratamento revela: “Andei anos a mentir à minha mulher: escondia o dinheiro que recebia do subsídio de refeição para o gastar todo em vinho”. E a esta mentira sucediam-se outras que transformavam a vida de casal (com um filho menor) num “inferno”: “Tratávamo-nos mal, com palavrões, e o miúdo já não me respeitava!”. Hoje, no final de cada dia este homem faz com a mulher uma “revisão de vida”, como ele gosta de sublinhar mais que uma vez durante a conversa.
E enquanto o homem de 38 anos, que ainda consome, escuta estes testemunhos com um rosto de espanto, a “Isabel” agradece estes momentos: “É muito importante saber que é possível sair disto…”, diz, mostrando-se entusiasmada com a proximidade da consulta de avaliação (dia 11 de Outubro) para iniciar o processo de internamento. Depois volta a dizer: ”Eu sei que vou conseguir mudar de vida”.

É possível levar alguém a voltar a ter confiança na vida? Sim. Não são precisos muitos meios para que se abram caminhos a tantas pessoas magoadas pelas “esquinas” da vida. Na simplicidade, nascem possibilidades de um renascer… Por vezes, basta uma palavra para que alguém empreenda um novo caminho. Quando as portas se fecham a alguém que vive uma solidão interior, estamos a privar um ser humano de descobrir a felicidade. Não a felicidade de um qualquer euromilhões, mas a felicidade de um quotidiano construído de coisas simples, de gestos fraternos…
A felicidade das sociedades é possível surgir de pequeninos projectos de solidariedade humana; as feridas de incompreensões e injustiças podem ser saradas através de decisões de vida que levem os nossos corações a tornarem-se lugares de escuta. E aí começaremos todos a “mudar de vida”, a nossa e a do mundo.

grão de mostarda

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

PENSAMENTO EM BUSCA


Admiramos o voo das aves, desejamos ser como elas – poder voar, voar, sair de um quotidiano agarrado ao chão e sentir o vento…. O ser humano está feito para “voar”. Precisamos de “abrir as asas” e libertarmo-nos do que nos prende a uma existência sem sentido.
grão de mostarda

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

PENSAMENTO EM BUSCA

Mais do que nunca, nestes tempos conturbados em que vivemos, a simplicidade e a sobriedade são caminhos que precisamos percorrer para que todos tenhamos acesso ao indispensável para viver com dignidade.
grão de mostarda

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

ESCUTAR A VIDA

Caríssimas e caríssimos,

O poder, na perspectiva do projecto anunciado por Jesus é o serviço. Adérito Marcos na sua reflexão de Escutar a vida designa-o de grande poder, em oposição ao pequeno poder: “um poder exercido, sem paz interior, em busca de uma satisfação perniciosa, sempre efémera e passageira, construída na supressão da dignidade do outro”.
Nos “momentos escuros” da Humanidade acentuam-se, muitas vezes por desespero, gestos desmedidos de pequenos poderes, esquecendo que somente a alternativa do serviço – o grande poder – torna possível um “tempo de confiança”. A propósito, o monge beneditino Anselm Grün escreve: “Só então entraremos em harmonia connosco próprios, uma vez que a decisão pelo mal acaba por nos prejudicar a nós próprios…” (1).

(1) Anselm Grün, O livro das respostas de Anselm Grün, Paulinas, 2008

Com estima fraterna,
grão de mostarda




Dos pequenos poderes despóticos fontes de sofrimento



 
      “O poder só faz sentido se for para servir”


 Num mundo norteado pela busca do sucesso profissional, das conquistas pessoais em carreiras ditas de prestígio e de todas as ambições e vaidades, pequenas e grandes, deparamo-nos, quantas vezes com a prática dos pequenos poderes despóticos, que se instalam como doença má no seio das organizações. O pequeno poder, contrariamente ao grande poder, actua primordialmente na sombra, não se exprime directamente, mas insinua a ameaça, e retira prazer humilhando o próximo, especialmente aqueles mais vulneráveis. É um poder exercido, sem paz interior, em busca de uma satisfação perniciosa, sempre efémera e passageira, construída na supressão da dignidade do outro, num despotismo que um ego excessivo impõe. O pequeno poder não tem paciência, exige resposta imediata. Não sabe ouvir, nem escuta nunca, a não ser ao seu ego. Não reconhece dignidade ou valor no outro, mas apenas o defeito e o erro. Não tem autoridade, mas autoritarismo. Não procura consensos, mas a divisão para dominar. Não tem qualquer laivo de autocrítica, pois considera-se perfeito ou em vias de o ser. E havendo falha ou dolo, a culpa é sempre do outro. Não tem tempo, pois está sempre atrasado.

O pequeno poder causa dor, mas cultiva a insensibilidade. Sabe rodear-se de almas tíbias que o apoiam, invejam-lhe o lugar e o poder. E não raras vezes, o pequeno poder trabalha incansavelmente, assumindo muitas e mais exigentes responsabilidades, ambicionando o apreço de superiores hierárquicos na ânsia de aumentar o seu poder e domínios.

O pequeno poder anseia sempre subir mais alto na escala do poder. Chama-lhe carreira. E rodeia-se de troféus, títulos e prestígios, objectos e bens materiais que apresenta como prova da vantagem desse poder. Para o pequeno poder, até a família, se existir, constitui um troféu que se coloca na prateleira. O pequeno poder não serve, serve-se. O pequeno poder gera a solidão, e tendencialmente, a tristeza.

O irmão ou a irmã que exerce o pequeno poder está em guerra com os outros, mas sobretudo consigo próprio. Estando necessitado(a) de amor, atrai para si e para os outros o sofrimento, o medo e a indiferença. Não raras vezes, também a morte espiritual e a física. Trata-se de irmãos/irmãs em real perigo de morrerem para sempre para a felicidade e para a vida. Aqueles que forem capazes de abrir o seu coração irão apercebendo-se da futilidade profunda da guerra em que as suas vidas se transformaram. 

É interessante como Jesus, mais uma vez nos dá o remédio fenomenal para o perigo dos pequenos poderes, que podem nascer nas pequenas comunidades e destrui-las. Ele, sendo o Mestre, lavou os pés aos seus discípulos, um acto próprio de um escravo ou serviçal. E recomendou, “Ora se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis, também, lavar os pés uns aos outros” (1). Isto é, que ninguém se imponha ao seu irmão, mas que o sirva sempre. Jesus ensina-nos o óbvio, mas afinal uma verdade eterna: o poder só faz sentido no Reino do Amor, que cada homem e mulher anseiam no seu íntimo, se for para servir. E se todos servirmos, o pequeno poder não terá lugar em nós.

(1)     João (13,14)

Adérito Marcos
43 anos,  irmão leigo membro da Paróquia S. Tomé, da Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica – Comunhão Anglicana, Castanheira do Ribatejo; membro do grão de mostarda/comunidade fraterna de reconciliação; licenciado e Doutorado em Engenharia Informática, agregado em Tecnologias e Sistemas de Informação, professor associado da Universidade Aberta.
Contacto: aderito.marcos@gmail.com

•Foto: A primavera, grão de mostarda

PENSAMENTO EM BUSCA


O ser humano vai adquirindo uma série de “necessidades” e desenvolvendo esquemas dominados pelo próprio ego que levam à perda da simplicidade. O desafio de Jesus é mantermos a simplicidade das crianças que confiam em quem as cuida (ver Marcos 10,13-16).
grão de mostarda

terça-feira, 27 de setembro de 2011

PENSAMENTO EM BUSCA

A simplicidade permite-nos olhar para nós e vermo-nos como somos; permite-nos olhar para os outros e acolhe-los como irmãos; permite-nos olhar para as coisas e perceber o seu real valor e dimensão…
grão de mostarda

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

PENSAMENTO EM BUSCA

A simplicidade, interior e exterior, é uma característica de pessoas de grande coração. A sua forma de estar na vida é, para os nossos corações, desafio a uma vida simples e com sentido. Jesus disse: “Quem for o mais pequeno entre vós, esse é que é grande” (ver Lucas 9, 48).
grão de mostarda