Uns fariseus e partidários de Herodes perguntaram a Jesus se era justo
pagar os impostos. “É lícito pagar a César ou não?”, perguntaram. E jesus
respondeu: “Mostrem-me uma moeda: de quem é este rosto e esta inscrição?”. Eles
disseram: “De César”. Então Jesus disse: “Devolvei ao César o que é de César e
a Deus o que é de Deus”. Eles ficaram admirados com a resposta. (ver Marcos 12,
13-17)
“ (...) Os que fizeram a pergunta a Jesus eram indivíduos seguidores de
Herodes, um rei déspota que, de acordo com os historiadores Josefo e Tácito,
arruinou o povo com impostos brutais. Os impostos eram cobrados com moeda
romana. E disso se aproveitavam, como é lógico, César e herodes. Mas também
retiravam interesses os sumos-sacerdotes, que aumentavam os lucros do Templo mediante
o dinheiro romano que era a moeda circulante.
Tendo isto em conta, se Jesus tivesse dito que era necessário pagar impostos,
dava razão aos canalhas que viviam da exploração fiscal sobre as populações
pobres. A questão aclara-se quando nos damos conta de que Jesus não disse
‘pagai ao César’, mas sim ‘devolvei ao César’ (...). O que Jesus disse,
portanto, é: ‘devolvei ao César o seu dinheiro, e que o coloque onde desejar, e
não vos aproveiteis dele. E a Deus, devolvei-lhe a honra e o respeito que estais
roubando à força de tanto explorar os pobres e os humildes.”

Ilustração:
John Singleton Copley (sécs. XVIII/XIX)
AO
ENTARDECER… espaço de busca no final do dia, a partir de pequenos comentários
do teólogo espanhol José María Castillo – http://blogs.periodistadigital.com/teologia-sin-censura.php
–, sobre as propostas de Jesus. Extractos retirados do seu livro “La religión
de Jesús – Comentarios al evangelio diario”, editado pela Desclée De Brouwer
(Bilbao), 2011.
grão de mostarda