
Do encontro De que mundo
somos?
AMOR e ESPERANÇA... Por aqui passaram muitas das interrogações e dos apelos
expressos no passado dia 7 (sábado), durante o encontro realizado aqui em
Forjães, no grão de mostarda.
As cartas De que mundo somos?, de Luísa Alvim e de Valentim Gonçalves (1),
que deram razão ao encontro, assumiram o simbolismo parabólico da frase
evangélica que assinalou a oração da manhã: “Dai-lhes vós mesmo de comer”.
Num quotidiano das incertezas, onde buscar luz e ânimo para que seja possível
empreendermos/continuarmos uma caminhada de confiança na vida? Partilharam-se
experiências nascidas desta interrogação...
No final da oração da manhã, Luísa Alvim e Valentim Gonçalves entreabriram
janelas para o diálogo da tarde, depois do almoço: “Preciso de ti...”. Mais do
que somente partilha de bens ou assistencialismo, o nosso “dai-lhes de comer”
passa pela entrega de nós mesmos, mas também por um desafio de confiança aos
que “têm fome”. E aqui fez-se memória da decisão do Abbé Pierre que, ao pedido
de ajuda do ex-recluso para recomeçar a vida, respondeu-lhe com um desafio:
“ajuda-me, tu, a recuperar outros homens...”.
Da manhã – depois de um tempo de silêncio, para escutar a Natureza e abrir-lhe
os corações –, ainda retemos os cânticos da oração comunitária, sustentados
pelas vozes da Marta e do Paulo.
Do diálogo feito entre todos, depois do almoço saboreado em afável convívio, e
iniciado entre a Luísa e o Valentim, surgiu um desafio: os tempos são de uma Humanidade
mais fraterna... Uma visão mais esperançosa e confiante na vida. Como tornar
possível no quotidiano, nos espaços em que cada uma e cada um actuam? Só o AMOR
permitirá mudanças... Sem o AMOR permaneceremos nas teias de todas as
ganâncias, de todos os enganos, de todos os jogos de poder... E o AMOR tem
futuro?
Então assomaram as nossas memórias, de momentos já experimentados... E os
corações falaram, deram voz ao exercício da ESPERANÇA já concretizada, tornada
acontecimento. Por vezes, através de quotidianos ainda recentes, de ontem. Mas
eram acontecimentos... E escutaram-se as VIDAS construídas na solidariedade
fraterna.
Também a vida de Jesus foi ACONTECIMENTO: refeições, curas, conversas,
encontros pessoais – afirmando assim a “esperança actuante”, aquela que torna
possível uma Humanidade mais humana e que no diálogo apareceu como a proposta
amável para a mudança de paradigma...
Cada uma e cada um saberá, agora, refazer caminhos, para tornar possível TUDO
ISTO: “Dai-lhes vós mesmos de comer”.
De que mundo somos? A interrogação, no final do diálogo com a Luísa e o
Valentim recuperou-nos as palavras proféticas de Martin Luther King, nas
quais AMOR e ESPERANÇA se fundem: “Eu tenho um sonho. E ainda que nos vejamos
confrontados com as dificuldades de hoje e de amanhã, eu continuo a ter um
sonho...”.
Permanecemos unidas/os no sonho, abrindo janelas de esperança.
Com estima fraterna,
grão
de mostarda
(1)
Escritas entre Junho 2011 e Junho deste ano e publicadas no Facebook do grão de
mostarda. Quem desejar o caderno com a compilação das cartas, solicitar para graodemostarda@sapo.pt com indicação
de morada.
grão de mostarda