segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

AO ENTARDECER



Ao entrar em Cafarnaum, Jesus foi abordado por um centurião que lhe suplicou: “O meu criado está em casa deitado com paralisia e sofre terrivelmente”. E Jesus disse-lhe: “Irei curá-lo”. Mas o centurião retorquiu: “Senhor, eu não sou digno que entres na minha casa. Basta que pronuncies uma palavra e o meu criado ficará curado…”. Jesus ficou surpreendido e disse aos que o seguiam: “Asseguro-vos: não vi fé semelhante…”. (ver Mateus 8, 5-11) 

 “Se a confiança de coração estivesse no começo de tudo… A confiança em Deus, a fé, é uma realidade muito simples, tão simples que todos podem acolhê-la (…). Não o esqueças: Deus não se impõe nunca com uma vontade ameaçadora. Cristo não deseja jamais o tormento para ninguém…” (irmão Roger, “Las fuentes de Taizé – Dios nos quiere felices”, PPC, Madrid, Espanha, 2003)




AO ENTARDECER… espaço de busca no final do dia, a partir de pequenos comentários do teólogo espanhol José María Castillo sobre as propostas de Jesus – http://blogs.periodistadigital.com/teologia-sin-censura.php. Os extractos dos comentários são retirados do seu livro “La religión de Jesús – Comentarios al evangelio diario”, editado pela Desclée De Brouwer (Bilbao), 2011.


grão de mostarda

PENSAMENTO EM BUSCA



Abrir a nossa mente, o nosso pensamento, para partilharmos as nossas ideias e sentimentos, acolhendo também as ideias e os sentimentos dos outros, é crescer em liberdade e permitir a construção de ambientes propícios ao desenvolvimento interior de cada um de nós



grão de mostarda

domingo, 2 de dezembro de 2012

ESCUTAR O AMOR



“…Se as pessoas entendessem esta época, seriam capazes de aprender com ela a viver como os lírios do campo (1).”
 
Etty Hillesum, “Diário – 1941-1943”, Assírio & Alvim, Lisboa (Portugal) 2008. Etty (diminutivo de Esther) Hillesum, filha de um casal judeu de Amesterdão (Holanda), morre no campo de extermínio nazi em Auschwitz, a 30 de Novembro de 1943.


(1) “…viver como os lírios do campo”, referência à passagem evangélica de Mateus sobre a conduta ética proposta por Jesus: “Não acumuleis riquezas (…). Observai como crescem os lírios selvagens, sem trabalhar nem fiar (…).” (Ver Mateus 6, 19-34).




grão de mostarda

sábado, 1 de dezembro de 2012

ESCUTAR A VIDA



Caríssimas e caríssimos, 

O padre Henrique é missionário… viveu muitos anos, na Pedreira dos Húngaros, partilhando uma barraca (de madeira) com outros missionários, naquele que foi considerado o mais problemático bairro da Grande Lisboa. Os seus moradores foram entretanto realojados.

Hoje, a sua reflexão (ver ANEXO) deixa transparecer a sabedoria de escutar das pessoas “que nos contam o lado positivo da vida”; uma sabedoria nascida de um quotidiano partilhado em simplicidade…
Com estima fraterna,

grão de mostarda


Escutar a vida…


Já tenho idade para escutar mais do que agir. Mas o “bicho” que sou, apanha-se ainda na precipitação, às vezes, antes de refletir e tentar compreender o que se passa com quem se aproxima, que fala, que quer comunicar algo por me conhecer, ter-me como amigo, considerar-me pessoa para conversar e não encontrar um “muro de aço”. Ai, a vida humana, como ela é complicada!

Que cuidado devemos ter para compreender que as relações mútuas são essenciais para a felicidade de cada um. Não que uma felicidade escangalhada não se possa restaurar. Pode restaurar-se o que não devia ter acontecido. Diz-me um jovem restaurador a quem pedi que tratasse duma imagem do Coração de Jesus oferecida em muito mau estado e sem uma mão: “o meu trabalho vai durar 3 meses; tenho que fazer isso fora de horas”. Levou cinco, em especial por causa de colocar uma mão. Foi tarefa delicada e de muita paciência. Escutar a vida é delicado; se calhar não é dado a todos. Já afirmei, acima, de me apanhar em precipitações que podem fechar a quem precise de alguém que escuta. Não me levem a mal, leitoras e leitores desconhecidos, iniciar desta forma o que se segue.

Na paróquia, a nobre actividade da Catequese junta, aos sábados, não só crianças e adolescentes mas também muitas mães e alguns pais. É boa oportunidade para dois dedos de conversa que se tornam facilmente na escuta da vida. 

Foi o caso quando perguntei a uma das Marias: “Tem trabalho?” “Oh, padre, nunca me preocupo com isso”. A minha pergunta desencadeou os tais dois dedos. Afirmou-me que já lhe aconteceu mais que um despedimento, mas quem procura e aceita qualquer trabalho consegue encontrá-lo. Com ela é assim. E, sorridente, esperava o fim da catequese da filha para a levar com ela. Esta Maria não foi a primeira a afirmar semelhante alegria. Alegrei-me com ela, pois é tão bom encontrar pessoas que nos contam o lado positivo da vida e que expressam, em poucas palavras, o resultado do seu esforço. A sua alegria multiplica-se nos familiares e amigos com quem priva. Passaram-se três semanas e de novo se proporcionou encontrar-nos e, de imediato, sai-se com esta: “Padre tenho mais um trabalho! Está a ver?”. Eu estava mesmo a ver na cara a sua grande satisfação por me poder contar isto. Quem nos dera escutar milhares doutras mulheres e homens satisfeitos e alegres, a partilhar as suas alegrias com amigas/os da sua vida. As alegrias existem, as alegrias contagiam, as alegrias escutam-se…

Henrique Scheepens, padre da Congregação dos Sagrados Corações e co-responsável da paróquia católica de S. Bartolomeu da Charneca (Lisboa)