quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

ESCUTAR A VIDA



Caríssimas e caríssimos,
o actual “momento mágico” de Paula Constantino  constitui um testemunho de esperança – “a minha experiência da vitória do cancro”, tal como ela considera a caminhada que fez até aqui… Na sua primeira reflexão para Escutar a vida (ver ANEXO), faz eco da sua atitude perante a doença: sempre conduzida pela não desistência.
Esta sua experiência foi, e continua a ser, uma jornada de esperança. De uma esperança que convoca o coração “a encontrar um sentido para a nossa vida”.
Com estima fraterna,

grão de mostarda


Testemunhas da Esperança



Ao iniciar a minha participação no “Escutar a Vida” quero fazê-lo de uma forma positiva, porque bela é a vida e tudo aquilo que a rodeia.

Permitam-me que partilhe convosco uma pequena experiência, que tem sido para mim uma enorme escola de vida e de Esperança. Há quatro anos e meio foi-me diagnosticado um cancro da mama grave. Fui operada, fui aos tratamentos de quimioterapia e radioterapia e, quando no final, disse ao médico que tudo tinha decorrido como o previsto, ele respondeu-me: “É muito bom sinal”.

Do medo e da angústia passei à Esperança, porque acreditei sempre que sem ela era mais difícil vencer esta batalha. Com a presença e apoio da minha família, dos amigos e de tantos outros, fui ultrapassando os obstáculos que esta doença por vezes coloca na nossa vida.

Ir às consultas ou fazer exames é sempre algo que me torna ansiosa, pela expectativa do resultado e pelo que o médico me pode comunicar. Felizmente que as notícias foram sempre boas: “Está tudo bem”.

Agora, e ao fim deste tempo, fui novamente ao médico e, no meio do turbilhão da ansiedade, cheguei à consulta e ouvi o seguinte do médico: “As suas análises estão excelentes e os exames também”.

Foi um momento mágico, este. Foi a primeira vez que ouvi isto do médico. Fiquei absolutamente feliz. Venci o cancro. E nada melhor do que isto para perceber o verdadeiro significado da palavra Esperança e de como ela faz todo o sentido na nossa vida. Nunca como agora afirmo com toda a força e consciência que desistir nunca, jamais em tempo algum, porque desistir nos impede de trilhar novos caminhos, de escutarmos o nosso próprio coração e de irmos até onde ele nos quer levar.

Viver com esta doença é sempre difícil. Pela incerteza do sucesso ou insucesso, pela quantidade de questões que nos caem em cima e que é preciso aprender a gerir e lidar: o medo, a angústia, as emoções, a parte psicológica, etc., e isso permite-nos ter um outro olhar sobre o valor da vida e daquilo que é o essencial.

É por isso que tão importante saber estar com as pessoas que passam por esta experiência. Podemos não ter resposta no momento, mas não as podemos deixar de mãos vazias, isto é, sem um sinal de Esperança, mas uma Esperança atuante, que vai, interpela, busca e envia a encontrar um sentido para a nossa vida, maior do que a doença, porque a esperança passiva, que fica à espera de que tudo se resolva, essa não chega a lado nenhum a não ser ao conformismo, que não é de todo solução para nada.

Quero aqui deixar, também, a minha homenagem a todas e todos que, tendo lutado e se empenhado tanto para vencer esta doença, mantendo a chama da esperança viva até ao limite das suas forças, não conseguiram vencer. Acreditaram sempre, foram vencidos por uma luta desigual…

Vale a pena acreditar, vale a pena ter Esperança.

Paula Constantino

domingo, 9 de dezembro de 2012

ESCUTAR O AMOR



“As outras pessoas são-me enviadas como bênçãos, mesmo que, por vezes, apareçam disfarçadas – como um presente escondido, diríamos…”, Albert Nolan(*), “Jesus hoje – uma espiritualidade de liberdade radical”; Paulinas, 2008

 (*) Albert Nolan, teólogo e membro da Ordem dos Dominicanos, nasceu na cidade do Cabo (África do Sul). Em 2003 foi agraciado, pelo Governo sul-africano, com a Ordem Luthuli, em reconhecimento da sua luta em favor da Democracia e dos Direitos Humanos.

grão de mostarda

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

AO ENTARDECER



Jesus disse: “Aquele que me escuta e cumpre a vontade do Pai esse chegará ao Reino… Esse é como o homem sensato que construiu a casa sobre a rocha. Caiu a chuva, cresceram os rios, sopraram os ventos, mas nada derrubou a casa porque estava bem alicerçada…” (ver Mateus 7,21.24-27)
 
“…Ao escutar, no silêncio do teu coração, compreendes que, longe de humilhar o seu humano, Cristo vem para transfigurar em ti inclusivamente o mais inquietante (…).

Quando sobrevêm as provas interiores ou as incompreensões do exterior, não esqueças que da ferida onde penetra a inquietude nascem também forças criadoras. Abre-se assim um caminho que vai da dúvida à confiança, da aridez à criação.” (irmão Roger, “Las fuentes de Taizé – Dios nos quiere felices”, PPC, Madrid, Espanha, 2003)



AO ENTARDECER… espaço de busca no final do dia, a partir de pequenos comentários do teólogo espanhol José María Castillo sobre as propostas de Jesus – http://blogs.periodistadigital.com/teologia-sin-censura.php. Os extractos dos comentários são retirados do seu livro “La religión de Jesús – Comentarios al evangelio diario”, editado pela Desclée De Brouwer (Bilbao), 2011.

grão de mostarda

PENSAMENTO EM BUSCA



Sermos nós mesmos pede que tenhamos objectivos para a nossa vida, estabelecidos a partir de uma avaliação real da própria pessoa e do que nos rodeia. E sem se deixar perturbar com julgamentos nefastos que possam acontecer… 



grão de mostarda

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

AO ENTARDECER



Jesus saiu da região de Tiro e de Sídon, seguiu pela margem do lago da Galileia. Subiu ao monte e sentou-se. Então foi ter com ele muita gente: coxos, aleijados, cegos, mudos e muitos outros doentes… O povo ficou cheio de espanto ao ver os mudos a falar, os aleijados a ficarem sãos, os coxos a andar e os cegos a ver. E davam louvores a Deus…” (ver Mateus 15, 29-37)

“Hoje mais que nunca se ergue um apelo a abrir caminhos de confiança, mesmo nas noites da humanidade. Pressentes este apelo?

Alguns, pelo dom de si mesmos, testemunham que o ser humano não está condenado à desesperança. A sua perseverança faz com que olhemos o futuro com profunda confiança (…).

Eles sabem: nem as desgraças nem a injustiça da pobreza vêm de Deus. Deus não pode senão amar…” (irmão Roger, “Presientes una felicidad?”, PPC, Madrid, Espanha, 2006)


 AO ENTARDECER… espaço de busca no final do dia, a partir de pequenos comentários do teólogo espanhol José María Castillo sobre as propostas de Jesus – http://blogs.periodistadigital.com/teologia-sin-censura.php. Os extractos dos comentários são retirados do seu livro “La religión de Jesús – Comentarios al evangelio diario”, editado pela Desclée De Brouwer (Bilbao), 2011.


grão de mostarda