segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

PENSAMENTO EM BUSCA



A comunhão com o Infinito, a quem chamamos Abbá-paizinho, é uma realidade que todos estamos convidados a viver. Com Jesus, aprendemos que esta comunhão torna-se real no serviço àqueles que precisam da nossa ajuda e de quem nos tornamos próximos.

 grão de mostarda

domingo, 13 de janeiro de 2013

ESCUTAR O AMOR



“No fundo só temos um dever moral: o de reclamar uma grande área de paz dentro de nós próprios, cada vez mais paz, e de a reflectir para os outros. E, quanto mais paz houver em nós, mais paz haverá no nosso mundo conturbado.” (Etty Hillesum, “Diário – 1941-1943”, Assírio & Alvim, Lisboa, 2008)

Etty Hillesum, filha de um casal judeu de Amesterdão (Holanda), morreu no campo de extermínio nazi em Auschwitz, a 30 de Novembro de 1943. O seu diário, além de permitir descobrir o seu empenhamento humano e social, percorre o seu itinerário espiritual nos tempos conturbados da ocupação hitleriana.
Foto: Raul Alves

ESCUTAR A VIDA



Caríssimas e caríssimos, 

Nesta semana, Emília Pinto adentra-nos numa experiência de vida… (ver ANEXO) A vida de “heróis” que ultimamente se vão cruzando na sua história. “Com eles vou cultivando mais Vida”, revela-nos nesta reflexão-oração, da qual retemos a gratidão pela “coragem e a vontade” dos seus “heróis” cegos… Eles que “ensinam a ler a vida com encanto…”, expresso em “novos toques, novas cores…”

Com estima fraterna,

grão de mostarda


Da minha experiência…

Desta vez a minha reflexão vem da experiência que tenho vindo a fazer que é descobrir o significado e a diferença entre a palavra cego e a palavra invisual. Acho que isto ainda diverge nas opiniões, não pretendo com isto impor uma maneira de pensar, é mesmo só uma partilha.

Descobri que a palavra invisual não é sinónimo de cego.  Não é correcta a sua utilização. Invisual é o que não se vê e cego é O que não vê. Dizer a um cego que é invisual, é o mesmo que lhe dizer que o próprio é invisível. Digo isto porque tenho amigos cegos, que respondem sempre a quem lhes chama invisual: "Eu sou cego(a), não sou invisível!" Sabemos que quem usa esta palavra não a usa com essa consciência, mas também sabemos que quem a usa, é por ter um certo "pudor" à palavra cego. Não é intencional, achamos que, ocultando a realidade, nos tornamos mais delicados…Eu própria já a usei muitas vezes, ou então trocava-a pela palavra ceguinho. Esta é outra palavra que comecei a evitar por descobrir que “ceguinho ou ceguinha" pode associar-se ao “coitadinho”. E por isso, agora, tenho plena consciência que de coitadinhos não têm absolutamente nada.  

Ainda na utilização da palavra invisual, se pensarmos bem, para além da inconsciência que referi, sobrepõe-se uma outra inconsciência que é a de a utilizarmos de acordo com a nossa maneira de pensar relativamente ao cego. Ou seja, será mesmo que o estamos a VER na sua condição de auto-suficiência? Na verdade a nossa falta de conhecimento ou os nossos preconceitos, não nos deixam ver a realidade no seu melhor. E a questão não é a do empregar palavras certas ou erradas, mas o que ainda está por baixo disso.
Nestes últimos anos, tenho tido um indescritível privilégio de conhecer e encantar-me com a verdadeira realidade dos cegos. São pessoas de uma autonomia admirável e incrivelmente inspiradoras e criativas! Costumo dizer que são os meus Heróis. 

Nas próximas vezes tenciono dar testemunho de histórias com rosto. Verdadeiros exemplos de vida, e curiosamente espantosas. Por agora e por falar em Heróis, lembrei-me de uma carta/oração que escrevi no dia 30 de Abril passado e que deixo aqui:

Os meus Heróis

Hoje, especialmente, quero agradecer-te pelos meus Heróis. Sim, aqueles mesmos! Não os ditos sábios de renome e reconhecidos, mas os que ultimamente vais cruzando na minha história e com eles vou cultivando mais Vida. Aqueles heróis que lutam contra a escuridão contínua, faça dia ou noite, procurando ver o Sol e a Lua de outro jeito, onde também estás a dar-lhes a mão em busca dessa Luz, tenho a certeza absoluta! Ou senão era impossível eles VEREM o que vêem... Oh meu Jesus, como lhes Tocas para eles VEREM assim? Admira-me a coragem e a vontade deles na integração e aceitação diante da realidade, nas relações interpessoais, na facilidade de proximidade com o outro, a capacidade de humor, o riso de si próprios diante de cada obstáculo que enfrentam... 

Oh meu Jesus, nosso Irmão, como lhes enches o coração de frescura nova, de uma alegria imensa de viver, de um despertar de novas conquistas, de novos toques, novas cores, novos ouvidos, novas formas de apreender tanta vida. Uma Vida que vai sendo renovada e partilhada em sabedoria e talentos, oferecida de graça e por GRAÇA a cada irmão que vai chegando...

Estes são os meus heróis, porque não aceitam restrições por parte dos que não sabem do que falam, escolhem crescer em vez de desistirem, deixam-se guiar por horizontes de vida que lhes dão segurança e firmeza através da esperança e gratidão que brota a cada dia nos seus corações.

Estes sim, são os meus verdadeiros heróis: os que me ensinam a ler a vida com encanto, me inspiram a reinventar a beleza das cores, me motivam a caminhar, me estimulam na descoberta da sensibilidade de um simples toque...

Oh meu querido Irmão mais velho, como eles me deixam maravilhada...e tenho a certeza que Tu vives neles e com eles e te maravilhas e encantas também.

Acho que não sou só eu que experimento a cada dia, histórias destes e de tantos outros heróis anónimos por aí espalhados em tantos lugares e em diversas circunstancias. Basta só estarmos atentos.

Por isso, Jesus, hoje tirei o dia para agradecer-te este privilegiado dom de descoberta nas nossas vidas e para estar em comunhão com eles e contigo. Tu Jesus, que és Luz e Amor, Caminho, Verdade e Vida, ilumina o nosso coração para que sejamos sempre motivo de alegria, de paz e esperança.

Obrigada Jesus.

Emília Pinto

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

AO ENTARDECER



Jesus disse: “Deus não enviou o seu filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo se salve por meio dele.” (ver João 3, 17)

“No Evangelho segundo S. João, compreendemos que Cristo não veio à terra para condenar o mundo, mas para que, por ele, toda a criatura humana seja salva, reconciliada.

No entanto o coração humano é por vezes habitado por um temor secreto de Deus. (…) Se aqueles que são chamados a falar do Evangelho ou a expressar diante de outros uma oração pudessem dizer a si próprios: ‘que a tua oração, que as tuas palavras, nunca contenham a menor ameaça em nome de Deus!’” (irmão Roger, Cristo nunca ameaçou ninguém in “Deus só pode amar”, Gráfica de Coimbra, 2004)



grão de mostarda

PENSAMENTO EM BUSCA



“Viver com intensidade. Deus não quer mais nada para cada um de nós. Jesus di-lo claramente no Evangelho: ‘Eu vim para que tenhais a vida, e a vida em abundância’”. (irmão Aloïs, na oração da noite de 28 Dezembro 2012, no decorrer do Encontro Europeu, em Roma, entre 28 Dezembro 2012 e 1 Janeiro 2013)



Ilustração: Tercília dos Santos

grão de mostarda