domingo, 16 de novembro de 2014

ESCUTAR O AMOR




Jesus disse às suas discípulas e aos seus discípulos: “Sejam compassivos e não julgueis nem condenem… Partilhai e recebereis em troca a partilha de outros…” (ver Lucas 6, 27-38)

“Quando alguém se fecha ao amor, corre o risco de se ir tornando indiferente, cínico, cauteloso ou desconfiado, agressivo ou explorador. Pouco a pouco habitua-se a viver dominando os mais frágeis e concentrando todos os seus esforços em ostentar, sobressair e triunfar.”

Jsoé Antonio Pagola, “El caminho abierto por Jesús – Lucas”, PPC, Madrida, 2012




Ilustração: “Guernica”, de Pablo Picasso

domingo, 9 de novembro de 2014

ESCUTAR A VIDA / ESCUTAR O AMOR



Caríssimas e caríssimos,

O tempo presente inunda-nos de preocupações, nossas e de tantos outros a quem desejamos bem, obrigando-nos tantas vezes a uma falta de lucidez sobre nós próprios.

Diante de inumeráveis solicitações que o quotidiano nos impõe, quando nos foi possível escutar/contemplar o SILÊNCIO da nossa existência, do nosso SER? Qual é a nossa verdadeira natureza?

Nesta semana, partilhamos o ESCUTAR A VIDA conjuntamente com o ESCUTAR O AMOR (que habitualmente vos enviamos aos domingos) com uma reflexão (em vídeo) da monja budista Jetsunma Tenzin Palmo – “O que aprendi no coração da vida”.

As suas palavras desvelam a luz de bondade amorosa e de compaixão que habita o coração de cada ser humano… Nelas vislumbramos caminhos que podemos prosseguir a busca do nosso SER e amar a VIDA que nos rodeia, em todas as circunstâncias e em cada momento.
Esta inglesa, que depois de viver num mosteiro budista masculino, optou por ser eremita durante mais de uma década, acabando por fundar um mosteiro feminino budista.

Fraternalmente,

grão de mostarda


domingo, 2 de novembro de 2014

ESCUTAR O AMOR



Dia 31 de Outubro (sexta-feira) passaram 74 anos sobre o total isolamento de todos os judeus no ghetto de Varsóvia (Polónia), o maior e mais tenebroso criado pelo regime nazi… Nesse mesmo ano (1940) o irmão Roger chegava a Taizé (França), onde acolheu refugiados, entre os quais muitos judeus.

Ontem, na reflexão ESCUTAR A VIDA, Paula Guerreiro recordou-nos que no tempo presente uma sociedade sem bússola conduzir-nos-á ao vazio interior, ao sem sentido das vidas…
No final do texto (*) em que recorda o seu início de vida em Taizé, o irmão Roger escreve: “A bondade de coração é um inestimável estímulo à acção.” Estas palavras “reescreveu-as” assim Paula Guerreiro: “É tempo de nos pormos a jeito e retificar o rumo. Ir ao encontro da verdade e do amor autêntico.”

Só assim estaremos atentos nos nossos locais de vivência para que não cresçam mais ghettos quantas vezes camuflados. Ghettos desumanizadores que se estendem cada vez mais, infligindo indignidade ao quotidiano de tantas pessoas… 

O irmão Aloïs, de Taizé, recorda-nos que a “vida em abundância que deus nos oferece não começa apenas depois de termos solucionado todas as nossas dificuldades, não! PODEMOS DESCOBRI-LA JÁ NO PRÓPRIO CORAÇÃO DESTAS DIFICULDADES, MESMO HOJE.”
 
(*) “Deus só pode amar”, Gráfica de Coimbra

 grão de mostarda


ESCUTAR A VIDA



Caríssimas e caríssimos,

ao reflectir  sobre a urgência de nos libertarmos da nossa “paisagem interior vazia”, Paula Guerreiro recupera-nos o pensamento de um humanista espanhol, Enrique Rojas.

No seu livro O Homem Light – Uma vida sem valores”, Enrique Rojas propõe: “A felicidade consiste em encontrar um programa de vida que nos encha o suficiente… [e] quando sabemos que meta desejamos, o caminho se inicia.”
Quando tantos sinais nos afirmam um tempo onde os caminhos parecem ser indiferentes, sem pontos de referência, Paula Guerreiro apela à lucidez de irmos “ao encontro da verdade e do amor autêntico”.

Fraternalmente,

grão de mostarda


EM BUSCA DO CAMINHO…


Na vida há que encontrar exemplos de pessoas que são, para nós, pontos de referência – dizia um colega a propósito de uma notícia que tinha passado nos meios de comunicação social e que se traduz no reflexo de uma sociedade que anda desorientada.

Precisamos de pontos de referência, voltar a reler os valores, apreende-los, consolidá-los e abolir da sociedade a presença do chamado “Homem light” que se caracteriza por um sujeito sem conteúdo e essência, revestido de uma paisagem interior vazia, sem valores nem pontos de referência e que se entrega ao prazer ilimitado sem restrições. O «Homem light» (*) dá título a um livro brilhante de um escritor atento, médico e humanista, que de modo tão profundo e amável nos revela: precisamos de pontos de referência para não navegar sem bússola e ficar à deriva sem saber a que ater-nos…

 “Do Homem mais exemplar ao mais degradado vai uma enorme distância, porém os dois pertencem à espécie humana”, escreve Enrique Rojas.

Se cada um de nós é capaz do melhor porquê optar pelo pior? É tempo de nos pormos a jeito e retificar o rumo. Ir ao encontro da verdade e do amor autêntico.  Libertar-nos do vazio interior e preencher a nossa alma de vida com conteúdo. Acredito que a espiritualidade e a transcendência ajudam a humanizar-nos. O Cristianismo propõe-nos a pessoa de Jesus Cristo como um ponto de referência capaz de iluminar e dar sentido à vida humana. Acredito que o Cristianismo não é a única maneira de se ser feliz, mas é um caminho.  
E quando soubermos reconhecer um amor que se desvela, que se vai manifestando por palavras, gestos, silêncios, que revelam o significado autêntico da relação em que se tem fé, compreenderemos a importância da necessidade de termos pontos de referência na nossa vida.

Paula Guerreiro

(*) O Homem Light - Uma vida sem valores”, Gráfica de Coimbra