domingo, 9 de novembro de 2014

ESCUTAR A VIDA / ESCUTAR O AMOR



Caríssimas e caríssimos,

O tempo presente inunda-nos de preocupações, nossas e de tantos outros a quem desejamos bem, obrigando-nos tantas vezes a uma falta de lucidez sobre nós próprios.

Diante de inumeráveis solicitações que o quotidiano nos impõe, quando nos foi possível escutar/contemplar o SILÊNCIO da nossa existência, do nosso SER? Qual é a nossa verdadeira natureza?

Nesta semana, partilhamos o ESCUTAR A VIDA conjuntamente com o ESCUTAR O AMOR (que habitualmente vos enviamos aos domingos) com uma reflexão (em vídeo) da monja budista Jetsunma Tenzin Palmo – “O que aprendi no coração da vida”.

As suas palavras desvelam a luz de bondade amorosa e de compaixão que habita o coração de cada ser humano… Nelas vislumbramos caminhos que podemos prosseguir a busca do nosso SER e amar a VIDA que nos rodeia, em todas as circunstâncias e em cada momento.
Esta inglesa, que depois de viver num mosteiro budista masculino, optou por ser eremita durante mais de uma década, acabando por fundar um mosteiro feminino budista.

Fraternalmente,

grão de mostarda


domingo, 2 de novembro de 2014

ESCUTAR O AMOR



Dia 31 de Outubro (sexta-feira) passaram 74 anos sobre o total isolamento de todos os judeus no ghetto de Varsóvia (Polónia), o maior e mais tenebroso criado pelo regime nazi… Nesse mesmo ano (1940) o irmão Roger chegava a Taizé (França), onde acolheu refugiados, entre os quais muitos judeus.

Ontem, na reflexão ESCUTAR A VIDA, Paula Guerreiro recordou-nos que no tempo presente uma sociedade sem bússola conduzir-nos-á ao vazio interior, ao sem sentido das vidas…
No final do texto (*) em que recorda o seu início de vida em Taizé, o irmão Roger escreve: “A bondade de coração é um inestimável estímulo à acção.” Estas palavras “reescreveu-as” assim Paula Guerreiro: “É tempo de nos pormos a jeito e retificar o rumo. Ir ao encontro da verdade e do amor autêntico.”

Só assim estaremos atentos nos nossos locais de vivência para que não cresçam mais ghettos quantas vezes camuflados. Ghettos desumanizadores que se estendem cada vez mais, infligindo indignidade ao quotidiano de tantas pessoas… 

O irmão Aloïs, de Taizé, recorda-nos que a “vida em abundância que deus nos oferece não começa apenas depois de termos solucionado todas as nossas dificuldades, não! PODEMOS DESCOBRI-LA JÁ NO PRÓPRIO CORAÇÃO DESTAS DIFICULDADES, MESMO HOJE.”
 
(*) “Deus só pode amar”, Gráfica de Coimbra

 grão de mostarda


ESCUTAR A VIDA



Caríssimas e caríssimos,

ao reflectir  sobre a urgência de nos libertarmos da nossa “paisagem interior vazia”, Paula Guerreiro recupera-nos o pensamento de um humanista espanhol, Enrique Rojas.

No seu livro O Homem Light – Uma vida sem valores”, Enrique Rojas propõe: “A felicidade consiste em encontrar um programa de vida que nos encha o suficiente… [e] quando sabemos que meta desejamos, o caminho se inicia.”
Quando tantos sinais nos afirmam um tempo onde os caminhos parecem ser indiferentes, sem pontos de referência, Paula Guerreiro apela à lucidez de irmos “ao encontro da verdade e do amor autêntico”.

Fraternalmente,

grão de mostarda


EM BUSCA DO CAMINHO…


Na vida há que encontrar exemplos de pessoas que são, para nós, pontos de referência – dizia um colega a propósito de uma notícia que tinha passado nos meios de comunicação social e que se traduz no reflexo de uma sociedade que anda desorientada.

Precisamos de pontos de referência, voltar a reler os valores, apreende-los, consolidá-los e abolir da sociedade a presença do chamado “Homem light” que se caracteriza por um sujeito sem conteúdo e essência, revestido de uma paisagem interior vazia, sem valores nem pontos de referência e que se entrega ao prazer ilimitado sem restrições. O «Homem light» (*) dá título a um livro brilhante de um escritor atento, médico e humanista, que de modo tão profundo e amável nos revela: precisamos de pontos de referência para não navegar sem bússola e ficar à deriva sem saber a que ater-nos…

 “Do Homem mais exemplar ao mais degradado vai uma enorme distância, porém os dois pertencem à espécie humana”, escreve Enrique Rojas.

Se cada um de nós é capaz do melhor porquê optar pelo pior? É tempo de nos pormos a jeito e retificar o rumo. Ir ao encontro da verdade e do amor autêntico.  Libertar-nos do vazio interior e preencher a nossa alma de vida com conteúdo. Acredito que a espiritualidade e a transcendência ajudam a humanizar-nos. O Cristianismo propõe-nos a pessoa de Jesus Cristo como um ponto de referência capaz de iluminar e dar sentido à vida humana. Acredito que o Cristianismo não é a única maneira de se ser feliz, mas é um caminho.  
E quando soubermos reconhecer um amor que se desvela, que se vai manifestando por palavras, gestos, silêncios, que revelam o significado autêntico da relação em que se tem fé, compreenderemos a importância da necessidade de termos pontos de referência na nossa vida.

Paula Guerreiro

(*) O Homem Light - Uma vida sem valores”, Gráfica de Coimbra


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

ESCUTAR A VIDA



Caríssimas e caríssimos,

Jean Onimus, no seu livro “Jesús en directo” (*), quando no final reflecte sobre o facto de a mensagem de Jesus “continuar a ser actualmente válida” – apesar de “tão rapidamente absorvida pelos sistemas e pelas doutrinas” –, anota: “(…) o que resiste ao tempo não são as ideias (que envelhecem e morrem diante de um novo contexto), mas sim os valores, e em particular esse ideal de amor que se revela ‘humano’”.

Na reflexão ESCUTAR A VIDA, Ricardo Brochado traz-nos dois testemunhos de amor nos quais, se consentimos no coração que o mais humanamente importante é o Amor, revemos “riquezas espirituais que se deveriam valorizar”.

Fraternalmente,

grão de mostarda


(*) Editorial Sal Terrae, Espanha, 2000




SÓ O AMOR É RELAMENTE IMPORTANTE…


As orgânicas familiares tradicionais estão cada vez mais ultrapassadas. Numa sociedade em que todos os valores se vão modificando muito rapidamente, em que cada vez mais a produção de riqueza parece ser o valor mais importante e nos vai cegando para a real importância do que é importante, em que pobreza material se ignora, mesmo estando debaixo dos nossos olhos, há riquezas espirituais que se deviam valorizar. Fruto de uma cegueira de séculos e de um paradigma parolo e mesquinho, a homofobia vai preenchendo as nossas mentes e obstrui a visão para um valor que, esse sim, é realmente importante: o Amor.

Nestes meses de época alta de turismo (e dizem muitos ser o futuro de Portugal) tive o privilégio de conhecer pessoas fantásticas dos dois lados da “barricada” hetero/homossexual, que me deram lições de vida pela forma como observam e vivem a vida.

Um casal de senhoras, uma médica e uma militar, sem preconceitos de forma alguma, mostraram-me o mesmo tipo de relação que os casais heterossexuais me mostram todos os dias com as mesmas idiossincrasias, as mesmas relações, as mesmas discussões, os mesmos gestos de carinho. São americanas, e uma delas, de nome de família Amarante, insistia que queria visitar a terra no Norte sua homónima. Em tom de brincadeira dizia que queria visitar o seu “reino”. O problema é que tinham poucas horas para o fazer. 

Num acto de puro altruísmo, a sua companheira comprou os bilhetes de autocarro para fazerem uma viagem de duas horas, ida e volta, e passarem em Amarante 25 minutos. Tudo para que conhecessem o “reino”.
Um outro casal, também dos Estados Unidos, e desta feita de homens, contratou-me com uma única exigência, que fizesse um percurso à medida para a mãe de um deles, que tinha problemas de mobilidade e 83 anos. Respondi-lhes que só faria a visita ao Porto se fosse tudo criado para a senhora se sentir confortável e feliz.

Ora, seria natural pensar que esta senhora tivesse algum tipo de preconceito em relação à opção sexual do seu filho, mas enganem-se, tratava os dois por filho e tinha exactamente o mesmo tipo de relação com os dois. 

Ao fim do dia, estavam os três felizes, e notava-se a alquimia do Amor entre estas três pessoas, que, uma vez ultrapassadas as mesquinhices impostas pela sociedade, se entregavam a uma experiência de compreensão e dádiva.

Cada vez mais sou crente de que dar cem por cento nos vai devolver um por cento, mas este valor é de qualidade, não de quantidade.

Ricardo Brochado

domingo, 12 de outubro de 2014

ESCUTAR O AMOR



No centro do nosso ser há um pequeníssimo ponto que não está tocado pelo pecado nem pelo engano, um ponto de pura verdade, um ponto ou uma centelha que pertence inteiramente a Deus (…). É como um puro diamante, resplandecendo com a luz invisível do céu. Está em todos nós, e se a pudéssemos ver, veríamos esses milhares de milhões de pontos de luz reunindo-se com o aspecto e esplendor de um sol que dissiparia por completo todas as trevas e a crueldade da vida…”
Thomas Merton (1915-1968), monge cisterciense