domingo, 11 de janeiro de 2015

ESCUTAR A VIDA



Caríssimas e caríssimos,

a reflexão que Paula Guerreiro nos oferece hoje constitui como que o “ponto final” dos PENSAMENTOS EM BUSCA desta semana – a  única abundância da bondade de coração é amar. E quando não nos amamos, não podemos amar alguém nem permitiremos deixarmo-nos amar…

Fraternalmente,

grão de mostarda


QUANDO NÃO NOS DEIXAMOS TOCAR


É uma faculdade do Ser Humano, um dom, podermos exprimir o nosso amor através do contacto, do toque,  e esta nossa capacidade é tão pouco valorizada. Por vezes até menosprezada. 

O quanto nós podemos dar, sobretudo às crianças, aos idosos, aos doentes, através desta nossa capacidade! Descobri um excerto no livro “A Mística do Instante”, de José Tolentino de Mendonça que aborda este tema. Espero que gostem.

 Paula Guerreiro

“Às vezes, quando não permitimos que nada nem ninguém nos toque, a nossa dificuldade é connosco mesmos. O problema de fundo é não nos conseguirmos amar, não gostamos de nós, da nossa cara, do nosso corpo, da nossa idade, da nossa cultura, do que temos ou não temos, do que sabemos ou não. Não gostamos, não amamos. E somos infelizes. E acontece-nos disfarçar essa lacuna num orgulho ou numa autossuficiência que apenas escondem (e escondem mal) a nossa fragilidade profunda. Aprender a amar-se a si mesmo, isto é tarefa para uma vida inteira. É uma coisa que nunca está acabada. Estamos sempre a descobrir o que significa.

Quando nos amamos a nós próprios, sabemos também amar os outros. Multiplicamo-nos em atenções e serviços, e nem sempre isso é amor. Damos até muitas coisas, mas não somos capazes de nos darmos. Não raro, o que julgamos ser amor é uma forma de poder sobre os outros, tê-los na mão, controlar, manipular, obter admiração. O verdadeiro amor é entregar o nosso amor aos outros sem estarmos preocupados com aquilo que os outros vão fazer dele.”

“A MÍSTICA DO INSTANTE –  O tempo e a promessa”, Paulinas, 2014


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